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SEM PRESSA, NEM PAUSA

Asuri Kapila


escrito por Swami Sarvayogananda

Escrever sobre este grande mestre para mim não é tarefa fácil, pois quase tudo que li a seu respeito foi há muitos anos, ainda na alvorada de minha jornada espiritual, desde então, muito se perdeu por passar despercebido; e o que escrevo agora não é nada perto da grandiosidade e importância que foi este homem para nosso continente adolescente. De sorte que me vali de algumas informações passadas por seus discípulo e amigos para resumir nesta pequena biografia.

Se houvesse um parâmetro justo que pudesse definir o Conde Della Rosa, sua definição seria o mais brilhante orientalista que o continente sul-americano conheceu. A amplidão de seu intenso labor em favor do desenvolvimento espiritual da América do Sul é indescritível, pois as mais importantes mentes que trabalharam sob as ordens hierárquicas celestes foram influenciadas direta ou indiretamente por Asuri Kapila.

Nascido na França sob nome Cesar Della Rosa era filho de pais dos serviços secretos dos governos italiano e francês, seus pais pertenciam a nobreza européia, e num ambiente peculiar à epoca nasceu em Paris em 5 de agosto de 1901, e cresceu num ambiente de diversidade cultural e muitas viagens.

Após o primeiro grande desfecho mundial partiu para o oriente mais uma vez, desta vez em busca da solução das questões espirituais. Concluindo a jornada no deserto interior, mudou-se definitivamente para o Uruguai, a suíça sulamericana.

Durante sua estada na Índia francesa (Pondicherry) conheceu pessoalmente o filosofo político Sri Aurobindo Gosh, que tocou seu coração e lhe transmitiu as bases da vanguarda da ioga (Purna Yoga). Também conheceu e recebeu instruções diretas do Santo Indiano Sri Ramana Maharishi, que o adotou como discípulo formal. Nesta ocasião conheceu Swami Annmalai, um dos discípulos adiantados de Sri Ramana com quem detabeu e aprofundou sobre Maha Yoga.

Viajou para Cachemira e ingressou na escola shivaísta de Trika Yoga, conhecendo Swami Vidyadhar que o iniciou no tantrismo, também menteve contatos com Swami Lamakshman Joo com quem compartilhou seu interesse no shivaísmo kashmir. Época em que recebeu o título de Swami Kashmir.

Deixou o ambiente indiano para ingressar nos mistérios dos Himalayas trans-indianos, viajando para Nepal e Tibet onde conheceu o Lama Lobssang Dorje e muitos outros lamas que o iniciaram no tantrismo budista. Sua passagem pelo Nepal levou a conhecer o Swami Vishwananda, que lhe iniciou com nome de Swami Asurikapilananda na ordem dasnami de Shankaracharya.

Uma recepção eloquente é dada ao Swami Asuri Kapila, pelo seu companheiro de guerra material e espiritual - o grande swami sulamericano - Sri Sevananda, outro nobre de origem francesa que veio residir na Argentina, Uruguai e Brasil, amigo de muita intimidade escreveu algo em sua principal obra:

“Em setembro de 1941, após terrível inundação cuja exata altura eu pré-desenhara nos muros do Templo e nos da "Rua da Praia", chegavam do Uruguai quatro visitantes, Membros da Ordem. Um dêles, médico italiano, jovem e cultíssimo, misticamente conhecido como "Pitágoras". Outro dêles, era uma espécie de "contraparte" minha, isto é: tudo que tenho em baixo-relêvo, tinha em saliência, e vice-versa. Era psí¬quico ao extremo; didático, nem um pouco. Filho de um nobre italiano, músico e chefe de orquestras, Conde Della R...- que tra¬balhara para o Serviço Secreto Italiano e casara com uma bela dama do Serviço Secreto francês... - Desse par de misteriosos artistas, nasceu, em Paris e em 1901, como eu, esse menino que cres¬ceu entre viagens à Rússia, à Itália, etc. Estudou na França, na Alemanha. Fêz-se químico (como eu). Casou cedo, na Suíça, e mais tarde divorciou-se. Residiu nos Estados Unidos, onde traba¬lhou como músico, inclusive a bordo de linhas que iam ao Japão e à India, cumprindo também às vêzes certas missões "confidenciais"... Aprendeu a negociar com pedras.

Mais tarde, em viagens por diferentes países do Oriente, interessou-se pelo aspecto mais técnico que transcendental (aí come¬ça a "contraparte", Carolei). Por meio de iniciações budistas, chegou ao contacto com misteriosos Membros dos Tântricos budistas. Sofreu, até, operações no corpo, para facilitar certos desenvolvi¬mentos. Deixou a vida sexual normal, mas cultivou certos métodos, com os quais alguns Tântricos - da mão esquerda - conservam-se jovens, absorvendo vitalidade dos ou das, que a êles se ligam. Nesse terreno, embora não tivesse acontecido com a pessoa a que me refiro, é fácil cair na depravação sexual, como aconteceu a certo discípulo nosso, que entendeu rnal os métodos do Tântrico citado. .. Viu, Carolei, como "discernir" é necessário, se não se segue uma via sem magismos, nem fenômenismos, buscados prematura e pretensiosamente!...” (O Mestre Philippe de Lyon, 2º. Volume, ¬Com. 96, 1959, RJ).

Neste comentário 96 da citada obra, Sevananda da uma pista do trabalho mais importante de Asuri Kapila, o marco inicial para criação do marco da revolução espiritual sulamericana, o Grupo Independente de Estudos Esotéricos – GIDEE, inspirado no GIDEE francês criado pelo insigne ocultista Gerard Encausse (Papus). Os quatro visitantes citados são iniciados na Ordem Martinista européia em todos vieram residir no Uruguai, desta união pentalfa, quatro figuras têm importância fundamental no trabalho espiritual vanguardista sulamericano são eles: Pitágoras, Asuri Kapila Surya e Jehel (que viria a se tornar mais tarde Swami Sevananda), onde juntos fundam o GIDEE.

O GIDEE torna-se uma verdadeira universidade espiritual, maior expoente espiritual da América Latina, tendo à frente como principais diretores Asuri Kapila no ramo orientalista e Jehel no ramo ocidental. Jehel já desenvolvia com outros a divulgação da ioga no continente e Asuri Kapila veio para transceder este trabalho.

Jehel seguindo os passos (as dicas) de Asuri viaja para India também e conhece os antigos mestres de Asuri Kapila tornando-se também um shankaracharya. Juntos, o trabalho quixotesco de Sevananda ganha expressão com os novos mosqueteiros (Kapila, Surya, Pitágoras, Maya, Martha...).

O GIDEE é a pedra angular para o trabalho inicial de Asuri Kapila na América do Sul, como também de seus companheiros, porém a inclinação de cada um dos membros obriga o GIDEE a se declinar para ser substituído por um trabalho individual e mais amplo de cada um, pois é desta segregação que se expande os vários ramos de espiritualidade para todo continente.

Asuri Kapila funda então o Ramana Ashram para divulgar os ensinamentos de seu mestre Ramana Maharshi, funda também uma organização budista Maha Bodhi Shanga e a Asociacião dos Irmãos Asiaticos do Brillante Mistério que divulgava o tantrismo tibetano do Vajrayana Maitreya Shanga. Também era iniciador da Suddha Dharma Mandalam, na qual mantinha relações “diretas” com os siddhas da Grande Fraternidade, no mesmo rol das relações que o Gandhi e Yogananda mantinham, ao contrário dos ramos que se estabeleciam no continente sul americano, que se dava por vias externas formalizadas.

Sua missão mais importante foi abrir o Ramana Ashram em honra a seu mestre em Montevidéu, em 1934. Esse ashram ensinou o primeiro curso de yoga na América do Sul, yogaterapia, ayurveda e budismo publicado pela revista L’Iniciación do GIDEE.

Viajou ensinando orientalismo no Uruguai, Argentina e Brasil. Antes de concluir sua obra, viajou outra vez ao oriente, agora para o Japão, China e Índia novamente por vários meses.

Em 23 de agosto de 1955 deixou o corpo físico tendo seu mahasamadhi. Deixou como sucessor seu discípulo Swami Vayuananda, capitão de corveta Carlos Ovídeo Trotta, principal divulgador da ioga no Brasil.

fonte: Revista Equinxo & Solstix número 03