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SEM PRESSA, NEM PAUSA

Cedaior


Albert Raimund Costet de Mascheville

Em 1.° de setembro de 1872, nascia em Valence (departamento de Drôme, França), na casa que fora do lendário Cavalheiro Bayard, e filho de Marie Delmas e de Eloy Cotet ou Costet, visconde de Mascheville (e mais outros títulos como: du Peuch, de Ia Chêvrerie, de Benhayes, etc. . . nessa família aparentada com os de Livron, de Taillfer, de Segur, de Narbonne, de Rastignac e outros...).

O menino assim nascido, chamou-se Albert Raymond. Com poucos anos, cansou de morar em Valence, onde já tinha obtido, pelos seus dons especiais de ouvido, a proteção do célebre Charles Dancla, que lhe ensinou violino e - bem contra a vontade materna - o recomendou para o Conservatório de Paris. Antes de partir de sua terra natal - a Valência francesa, que não fica longe de Lyon - ele tinha um amigo, mais velho que ele que contava pouco mais de 13 anos.
Perto dos 13 anos consegue "arrastar" seus pais a Lyon e obter, por recomendação de Char¬les Dancla, um apoio para ingressar no Conservatório de Paris. Veremos que sua passagem por Lyon, foi o despertar de sua carreira iniciática, pois ali conheceu ao mestre AMO.

Cedaior consegue, pois, antes dos 15 anos, ser enviado sozinho a Paris, e, na cidade luz não se deixa deslumbrar pelo superficial e frívolo. Para desespero de seus professores toca pela noite em orquestras de 2.ª categoria, para ganhar, sozinho, o necessário à sua subsistência. Leva essa vida até que, anos depois, obtém um primeiro prêmio do Conservatório de Paris e ganha logo, por concurso, sua no¬meação de Professor do Conservatório de Nancy, sendo que não assume o cargo.
Em 1891, inicia voluntariamente um período militar de quatro anos, por razões econômicas e para poder firmar seu lugar de serviço, que é Paris.

Em 1895 o encontramos no Egito, em missão oficial do Governo francês, fazendo, oficialmente, estudos sobre os instrumentos antigos e a acústica das civilizações primitivas.

Por volta de 1900, cresce sua atividade material, realiza vários inventos relacionados com a música: surdina para violinos, metrônomos, etc., e consegue, sucessivamente, postos de maior categoria, chegando a tocar nos grandes concertos Colonne, Lamoureux e, finalmente, na Opera Cômica de Paris.

Em 1906 o encontramos com uma casa editora de música de aluguel e venda de pianos e Membro da Sociedade de Autores de Paris, assim como sua esposa, brilhante pianista e compositora, com a qual se havia unido antes e já sendo nascido, em 1901, seu primeiro filho.

Em 1910, desgostoso da vida européia e dos ódios raciais que já se manifestavam, embarca para a República Argentina, na qual se faz conhecer como concertista e maestro.
Funda conservatórios em Buenos Aires, Olivos e San Isidro e, com sua companheira, chegam a estabelecer rapidamente uma base material de vida muito aceitável.

Porém, em 1914, pouco antes do nascimento do segundo filho, o Iniciado começa a cativar cada vez mais o homem e a situação material de Cedaior sofre as consequências do despreendimento assim motivado.

Em 1919, depois de uma fase de atividades ocultas, publica sua obra principal, "Las Leyes de Vayú", e desfazendo seu primeiro lar, se lança a explorar, sozinho, regiões que o atraem: a Cordilheira Andina.

Em 1921 o vemos chegar a Mendoza, onde viverá modestamente de lições de francês e de música até 1924, data em que uma nova missão oculta o leva ao Brasil.

No Brasil começará o que se poderia chamar a segunda fase da vida do Homem e do Mestre.

Faz várias tentativas, que examinaremos detidamente mais tarde, de fundar colônias naturistas e "olímpicas" (isto é, sobre a base explicada em seu livro). Todas, por diversas razões, fracassam, e sempre é o mestre um dos que mais sofrem, material e moralmente, as consequências. Assim transcorre a vida de Cedaior, primeiro em Santa Catarina, depois no Paraná - onde conhece sua segunda companheira, futura mãe dos cinco filhos de seu segundo matrimônio - depois em Goiás, novamente no Paraná e finalmente no Rio Grande do Sul, onde passará os dez últimos anos de sua vida, com ex¬cessão de três, passados em São Paulo, no meio de lutas de toda espécie.
De 1924 a 1942 (notar a inversão de números) no Brasil, realiza pouco materialmente, sofre muitas misérias e muitas desilusões, porém sua inquebrantável vontade espiritual e a força encontrada em sua companheira permitem resistir a todos os embates.

A partir de 1926, simultaneamente, luta pela vida material, pelo ressurgir das Ordens (Martinista e Rosa Cruz Kabalística) e por sua missão pessoal: a preparação de núcleos Olímpicos.

Em 1921, fixa definitivamente residência em Porto Alegre, próxima da Sede da Ordem Martinista (naquela época). Consagra seus últimos anos de vida a estudar profundos problemas da Escola Platônica e a sintetizar suas atividades iniciáticas.

Já foi dito que quando Cedaior era ainda menino perto de 13 anos de idade, havia entrado pela primeira vez em contato com o Mestre AMO Phillippe. Efetivamente, um senhor, amigo da famí¬lia de Cedaior, o levou à presença do Mestre AMO, por haver constatado algumas particularidades no menino. O Mestre AMO o observou largamente, seguramente com a visão interior sobretudo, e resumindo sua impressão em um sorriso, perguntou ao menino: "Diga-me, pequeno: te agradaria ser útil e ajudar a curar uma senhora que sofre de um terrível martírio?".

O menino Cedaior não vacilou em responder afirmativamente. Então o mestre AMO colocou a mão sobre sua cabeça por alguns instantes e disse:

"Diariamente, o senhor que te trouxe até aqui, te levará ao hospital no qual se encontra tal senhora, QUE TEM UM GRAVE CÂNCER NO SEIO. Tu colocarás tua pequena mão sobre o mal e DURANTE UMA HORA, desejarás que se cure e o pedirás a JESUS".

Com perseverante alegria o menino Cedaior fez durante dez dias o que o mestre indicara e, ao terminar os dez dias, a senhora saía do hospital completamente curada. Que misterioso laço se estabeleceu entre o Espírito do Plano Crístico, o Mestre AMO, a vitalidade e o bom coração do menino Cedaior e a enferma assim curada? . . . A meditação Ihes dirá se é que já não Ihes disse sem nada dizer.

Profunda impressão deixou no menino Cedaior o referido fato; e, ao chegar a Paris para estudar no conservatório, como já disse, seus pensamentos e suas leituras se dirigiram com uma frequência e uma seriedade raras em pessoas com tal idade, para os temas místicos e iniciáticos.

Aos 18 anos de idade cria uma "sociedade secreta" com alguns companheiros, na qual se celebravam ritos que eram uma síntese da adaptação de mistérios egípcios e outros, visando especial¬mente a obtenção de estados de transe voluntário e consciente. Graves juramentos obrigavam aos mem¬bros, e um punhal de lâmina curva e cabo de marfim gravado com hieróglifos era, ao mesmo tempo, objeto de reconhecimento e de lembrança sobre o silêncio aceito.
Vários membros da improvisada seita conseguiram resultados curiosos, e o próprio Cedaior já chamava a atenção de seus companheiros pela facilidade com a qual conseguia se colocar em cata¬lepsia, por um período de tempo pré-fixado e sempre exatamente verificado, contando no "regresso" ou despertar, tudo o que havia feito e visto, havendo muitos fatos que foram verificados como exatas visões à distância, de fatos do presente ou do passado, e alguns até como previsões (pré-visões) de fatos ainda não acontecidos e que se realizaram tal como os descrevia o "iniciável" Cedaior.

Em 1892, sendo já militar (como solista de oboé e sub-chefe da banda de seu regimento) Cedaior conheceu o sargento Montagne, que o colocou em contato com o GROUP INDEPENDANT D'TUDES ESOTERIQUES na qual Cedaior conheceu Papus, Barlet, Sédir e outros mestres da época, inclusive dois magnetizadores que se fizeram muito amigos de Cedaior e que foram também seus futu¬ros companheiros de Martinismo: Raymond e Moutin.

Em 1892 mesmo, Cedaior foi iniciado na Ordem Martinista pelo Grande místico SEDIR e recebeu naquela ocasião os seguintes nomes: nome místico e simbólico "CEDAIOR" e nome eso¬térico SDR/2-H, (o que indica que ele foi o oitavo discípulo iniciado por SEDIR).

Em 1893, encontramos Cedaior como Iniciado Martinista e logo como S.I. (Terceiro Grau) na função de Mestre de Cerimônias da Loja Martinista Mística "HERMANUBIS", que se dedicava es¬pecialmente à via mística e, dentro dela, preferentemente à parte oriental da doutrina.
E possível que isto tenha influenciado para "reavivar" o seu passado oriental (todos nós devemos ter um, Carolei! . . ) pois que, durante certa época, os seus desdobramentos voluntários foram assistidos por Mestres do Tibete e de Allahabad, que até o levaram a prestar certos compromissos peran¬te a chamada "Grande Loja Branca", compromissos que Ihes foram lembrados e exigidos mais tarde, como consta de seu Livro" As Leis de Vayu".

Entre tais Mestres, um deles chegou a "materializar-se" (sem a intervenção de fenômenos mediúnicos, é claro) em Paris, e fazer "prova de fé"... como aquela na qual CEDAIOR (nome ini¬ciático com o qual ficou conhecido meu Mestre), recebeu ordem para apontar um revólver para o peito de sua jovem esposa. . e atirar. . . ficando a bala tremendo no ar e caindo no chão, ante o espanto dos quatro ou cinco que, com Cedaior, compunham um grupo muito fechado...

Tempos antes de sua desencarnação, já à espera e a anuncia aos que o rodeiam. Declara, uns dias antes de sua morte, ainda com boa saúde: "terminei o que tinha que fazer por esta vez; vou dar uma olhadinha lá em cima e voltarei logo para continuar".

No dia 12 dá suas instruções para depois de sua partida. No dia 14 aparecem os primeiros sintomas. Se instala uma congestão pulmonar e segue a uremia. O seu tema natal "morrerás só e abandonado, longe dos teus", cumpria-se, pois, não obstante o carinho de sua segunda esposa e dos filhos desse matrimônio, bem como certos de seus Discípulos, ele ficou "largado" nos corredores da Santa Casa, transportado pela delicadeza do Dr. Antônio Pereira Júnior, à casa de Saúde do mesmo, onde por curioso conjunto de circunstâncias - expirou sem nenhum dos seus junto à ele. - Que bela morte, sossegada e tranqüila. . .!

O Venerável Mestre CEDAIOR passava suavemente, ao outro plano, às 16 horas e 55 minutos do dia 22 de Janeiro de 1943, e uma forte chuva veio a confirmar na hora da entrega de seus despojos à terra, suas palavras de dias antes de que "tinha que mexer um pouco em cima para interromper a seca".

Vimos assim, sumariamente, a vida material e social do HOMEM, veremos mais tarde, a ativi¬dade do mestre, sobre cuja tumba ressoou, carinhosamente, a voz dos representantes da Loja Maçônica Moreira Guimarães do Centro Vivekananda; da Irmã Hipathia - representando o soberano Delegado Geral da Ordem Martinista e sobre a qual se estendeu a mão amiga dos veneráveis mestres em seus pri¬meiros passos iniciáticos desta encarnação e aos quais sempre SERVIU o melhor que pode, ao preço de qualquer sacrifício: AMO - PAPUS - VAYUSATTWA - SEDIR.


Que as Rosas floresçam sobre a Cruz
De tua tumba, como floresceram na Luz Emanada de teu Sacrifício, de teu Coração,
E siga fecunda a trajetória de tua Missão.

Autor: Swami Sevananda
Fonte: Revista Equinox & Solstix número 01